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Maceió começou a testar, nesta segunda-feira (6), um modelo inédito de transporte público voltado exclusivamente para mulheres. Batizado de “Ônibus da Mulher”, o serviço entra em circulação com a promessa de aumentar a segurança e mudar a rotina de quem depende do sistema na capital alagoana.

A novidade chega em fase piloto, com quatro veículos operando em linhas consideradas estratégicas. A escolha dos trajetos não foi aleatória. Segundo dados de bilhetagem, esses percursos concentram grande número de passageiras no dia a dia. Por isso, o serviço começa atendendo as linhas 601 (Benedito Bentes/Jatiúca), 604 (Eustáquio Gomes/Cruz das Almas), 716 (Clima Bom/Ponta Verde) e 727 (Eustáquio Gomes/Ponta Verde).

Além da proposta exclusiva, os ônibus chamam atenção pelo visual e pela estrutura. Os veículos circulam na cor rosa e contam com ar-condicionado, entradas USB para carregar celulares e espaços adaptados para cadeirantes e mulheres com mobilidade reduzida. Com isso, a ideia é oferecer não só mais segurança, mas também mais conforto durante o trajeto.

Enquanto isso, a tarifa segue a mesma do sistema convencional. Usuárias que utilizam o cartão Vamu Cidadão pagam R$ 3,49, enquanto o valor sobe para R$ 4,00 em pagamentos no crédito ou débito. Já estudantes com o Vamu Escolar continuam com direito ao passe livre.

Por outro lado, o ponto que mais gera discussão são as regras de acesso. O embarque é restrito a mulheres, pessoas que se identificam com o gênero feminino, crianças de até 12 anos acompanhadas e homens apenas quando estiverem com mulheres com deficiência. Homens desacompanhados não podem utilizar o serviço.

Enquanto isso, os horários foram distribuídos ao longo do dia para atender diferentes rotinas. As saídas acontecem desde o início da manhã até a noite, dependendo da linha, com intervalos definidos em cada terminal.

A proposta surge com o objetivo de oferecer mais segurança e conforto, principalmente diante de relatos frequentes de assédio no transporte público. No entanto, o modelo também levanta um questionamento direto: criar um espaço exclusivo resolve o problema ou apenas contorna uma falha maior no sistema?

Nos próximos meses, o funcionamento será acompanhado de perto. A ideia é avaliar a adesão das usuárias e medir os impactos reais no dia a dia. A partir disso, o projeto pode ser ampliado ou ajustado.

ALAGOAS 24 HORAS

Foto: Assessoria