Casos aleatórios. Em 2007, poucos meses após tomar posse no cargo de governador de Alagoas, Téo Vilela acusou Ronaldo Lessa, seu antecessor, de deixar um rombo de 30 milhões de reais. Foi numa entrevista ao Estadão. O curioso é que os dois haviam sido aliados na eleição de 2006. Após Vilela apontar a “herança maldita”, a dupla nunca mais se reaproximou. O que houve ali é algo recorrente na política brasileira.
Nos dias de hoje, a governadora de Brasília, Celina Leão, está em litígio com o ex-governador Ibaneis Rocha. Ela deixou de ser vice e assumiu o posto do até ontem aliado fiel. Andam trocando pancadas pela imprensa e nas redes sociais. Uma vez na cadeira de titular, as diferenças começam a surgir quase como que por combustão espontânea.
Há os casos em que as brigas começam ainda quando titular e vice estão em suas cadeiras. Foi o que se passou no Maranhão e no Rio Grande do Norte. Situação semelhante se deu no Tocantins, no Amazonas e em Rondônia. Nesses exemplos, o que já era um tanto complicado azedou de vez com a chegada do ano eleitoral.
De volta ao passado, um episódio célebre de rompimento entre criador e criatura tem como atores Paulo Maluf e Celso Pitta. O primeiro elegeu o segundo como prefeito de São Paulo em 1996. Três anos depois, brigaram para sempre num espetáculo em praça pública. Ainda em São Paulo, Orestes Quércia e Fleury Filho – também criador e criatura – racharam a parceria de modo estrepitoso na mesma década de 1990.
Não é que João Henrique Caldas e Rodrigo Cunha estejam vivendo um rompimento a céu aberto. Mas o clima entre os dois jovens da “nova política” já não é mais o mesmo. Pelo que sai em nossa imprensa, estamos diante, sim, de algo que se aproxima dessa tradição lembrada nos parágrafos acima. O atual prefeito anda amuado com o ex.
Cunha era o vice que assumiu a cadeira principal após o parceiro renunciar para disputar a eleição neste ano. JHC é virtual candidato ao governo estadual – e nessa condição atropela o que vê pela frente. O problema é que nem o atual prefeito escapa do rolo compressor de João Henrique. O interesse eleitoral se impõe sem dó.
No meio da bagaceira, duas encrencas de respeito. Uma: contrato com empresas coletoras de lixo. Negócio pesado. Duas: Banco Master e 100 milhões de reais dos aposentados municipais. Negócio explosivo. Paira no ar uma tensão acerca de como o “corajoso” Cunha pretende administrar as duas encrencas. JHC está temeroso.
Se não houver paz, Cunha pode adotar postura mais drástica. É o que se fala nas esquinas históricas de Jaraguá. Periga pintar denúncia de “herança maldita”? Apostas!
CADA MINUTO
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