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Comunidades dos bairros da Guaxuma, Riacho Doce e Garça Torta, que são historicamente atendidos por poços artesianos, representadas por associações e institutos, estão se unindo contra a proposta da concessionária BRK Alagoas, que possui um projeto de expansão para desativar gradativamente esses poços locais. A proposta divulgada é interligar a rede desses três bairros do litoral Norte de Maceió, além do povoado Saúde, ao Sistema Pratagy, que é o principal produtor de água da capital.

Na parte alta do bairro da Guaxuma, por exemplo, no conjunto Elias Pontes Bonfim e no Alto da Boa Vista, as estruturas que abastecem a comunidade já são consolidadas na região, onde a extração da água é feita de forma comunitária e independente por meio de bombas gerida pela própria associação e por particulares. Os moradores rejeitam a desativação e lutam pela manutenção da gestão comunitária autônoma.

No bairro, o Instituto Sociedade Alternativa, através do projeto Guaxuma Unida, afirma que os principais argumentos da comunidade envolvem a resistência contra a cobrança de tarifas da concessionária, a falta de garantias operacionais de que o novo sistema trará segurança e regularidade no fornecimento de água e saneamento, além de colocar em discussão o monopólio da concessão privada sobre fontes de água que eles mantêm de forma independente há décadas.

Aos protestos, por enquanto nas redes socais e através de advogados que estão entrando com recursos junto à Arsal e ao Ministério Público, se juntaram também os moradores dos bairros vizinhos, Garça Torta e Riacho Doce, ambos que possuem poços artesianos que são utilizados historicamente para o abastecimento de água da comunidade. No Riacho Doce, por exemplo, a estrutura atual conta com um conjunto de poços (como o chamado Sistema Riacho Doce) que puxa água do lençol freático para abastecer os moradores dessas localidades integradas.

Nos bairros, a Associação dos Moradores e Amigos de Riacho Doce (Amard) e a Associação dos Moradores de Garça Torta (AMGT), também se articulam. E, essa mudança, tem gerado protestos e reuniões entre as lideranças locais e a concessionária. Os moradores resistem à desativação do sistema comunitário de poços por temerem problemas de continuidade no fornecimento, ausência de investimentos simultâneos em saneamento básico (esgotamento sanitário) e o valor das tarifas de cobrança. O sistema é composto por cinco poços, como o P-MAC-RD-01, que vive temporariamente paralisado, enquanto os demais seguem operando.

O abastecimento de água nesses dois bairros, diferentemente da Guaxuma, é realizado por meio de um sistema local composto por poços artesianos subterrâneos e estações elevatórias operadas ainda pela Casal, e por alguns particulares.

Agora, os moradores rejeitam a medida e afirmam que não querem abandonar o sistema comunitário de abastecimento sem garantias de saneamento e segurança no fornecimento. Um possível protesto, como fechamento da rodovia AL 101 Norte, reunindo as três comunidades, ainda não foi descartado.

Por Claudio Bulgarelli – repórter / Tribuna Independente

Foto: Edilson Omena