“Preocupação é salvar empregos dos colegas”, é o que afirma o presidente do sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Alagoas (Sindjornal), Izaías Barbosa, sobre o anúncio da Organização Arnon de Mello (OAM) de que deve substituir a periodicidade do jornal impresso Gazeta de Alagoas de um diário para um semanário.

“É um jornal com 84 anos de existência, é lamentável que tenha chegado a esse ponto. A gente acha que o impresso é viável, que tem sobrevivência. Nós fomos lá solicitar da empresa que reveja essa situação no caso de demissão, apresentamos propostas, enquanto organização para realocar profissionais, afinal são dez empresas dentro da OAM. A maior preocupação é com as demissões. Nós vivemos numa incerteza que é o novo governo, a crise tá grande, o mercado de comunicação já é complicado. Então a nossa preocupação é justamente essa, é de salvar os empregos dos colegas”, lamentou o presidente do Sindjornal.

Um ato promovido pelo Sindicato na redação da Gazeta de Alagoas ocorreu no início da manhã desta segunda-feira (12), em seguida houve reunião entre a direção da empresa e o Sindjornal. Segundo Izaías Barbosa, uma nova reunião estaria prevista para o fim do dia.

“Nós tivemos hoje [segunda-feira] uma reunião com a direção. Em seguida a direção da OAM foi comunicar aos trabalhadores a decisão deles, de se tornar um semanário. Daí eles ainda não falaram da questão de pessoal, mas não definiram ainda nada, nada está definido, isso ficou para o fim da tarde. Eles vão dar a decisão. Mas não se sabe quantas pessoas saem, se vão sair”.

ENTENDA

Na edição do último fim de semana (10 e 11) o jornal Gazeta de Alagoas trouxe o anúncio a leitores e anunciantes de que mudaria o modelo de veiculação diário para semanário. Após o anúncio, Sindjornal e Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) manifestaram posicionamento.

“Neste momento desolador para a história do jornalismo alagoano, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Alagoas (Sindjornal) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) manifestam total e irrestrita solidariedade a todos que fazem parte da Organização Arnon de Mello (OAM), em especial aos que trabalham, diariamente, no jornal Gazeta de Alagoas”.

As entidades repudiaram a mudança. “Merecem todo o apoio e respeito os profissionais que, ao longo dos últimos anos, foram muito além do seu papel de funcionários, fizeram concessões e sacrifícios por compreender a importância de manter o impresso funcionando. Com paciência e muito trabalho, viram seus direitos como hora-extra e FGTS serem negligenciados pela empresa, mas sempre optaram pelo diálogo e a manutenção do veículo, que sempre foi entregue, pontualmente, e com qualidade ao leitor. Por outro lado, a gestão continuou ignorando os sinais de mudança do mercado e deixou que as dificuldades se agravassem, chegando ao fim que agora se apresenta. Repudiamos a decisão de abrir mão de um legado que faz parte da história de Alagoas, ao invés de buscar soluções para viabilizar a empresa”, diz trecho da nota.

Presidente do Sindgráficos lamenta fim do diário Gazeta de Alagoas

“Meu coração dói de ver meus colegas jornalistas e gráficos desempregados”. Assim afirma o presidente do Sindicato dos Gráficos de Alagoas (Sindgráficos) e também presidente da Cooperativa dos Jornalistas e Gráficos do Estado de Alagoas (Jorgraf), José Paulo Gabriel, ao falar sobre a transformação do diário Gazeta de Alagoas em semanário e a consequente diminuição do número de profissionais da empresa.

Gabriel diz que sente pelo fim do diário, pois o presidente sindical afirma que a empresa é composta por excelentes gestores e funcionários. “São pessoas que conhecem muito bem a área. É preciso haver conteúdo, produção e uma uniformidade nessa base de mídia impressa. O que não pode é uma empresa ter dívidas e mais dívidas, débitos e mais débitos antigos. Isso, na minha opinião, foi o que complicou mais a situação. Com jornal impresso [diário], dá para se conviver. Agora tem que ser um jornal enxuto, que não tenha dívidas e que a produção seja local”, declara.

Segundo José Paulo Gabriel, perder o emprego, atualmente, é desastroso, para quem atua no mercado gráfico. “O mercado não está organizado nem absorvendo, pelo contrário, está desorganizado. Isso não é só o mercado gráfico, é toda economia brasileira, e nós sabemos o motivo: a reforma trabalhista, que veio com a promessa de consolidar dois milhões de empregos e hoje não fez nem 20% disso um ano depois. Não reflete aquilo que aqueles políticos falaram. A reforma trabalhista foi um engodo.”

Para o sindicalista,  o jornal impresso, em uma visão geral, não está morto, mas precisa de compartilhamento. “Não é mais aquele veículo que era há anos, mas que ainda é um meio importante de comunicação”.

“Jornal tem que ter conteúdo dele, produção dele, da região dele, não de outras regiões. Um jornal não pode ter débitos. Já é difícil ter um jornal, imagine produzir um formando uma gordura que não pode ser desengordurada do dia para noite”, finaliza o presidente da Jorgraf.

Fonte: Tribuna Independente

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