A vacina contra o HPV (papilomavírus humano) reduz em até 51% as lesões pré-cancerosas causadas pelo vírus em adolescentes e 31% em mulheres de 20 a 24 anos. É o que revela um estudo conduzido por pesquisadores do Canadá, Estados Unidos, Austrália e Europa, publicado no período científico The Lancet na semana passada.

Os cientistas analisaram uma base de 66 milhões de homens e mulheres com menos de 30 anos em 14 países ricos, onde a vacinação foi introduzida em 2007.

Segundo o relatório, “vacinas contra o papilomavírus humano (HPV) reduzem drasticamente as infecções, verrugas genitais e anais, além de lesões pré-cancerosas em mulheres”.

Como pode levar muitos anos para uma infecção pelo HPV progredir para o câncer, o estudo foi o primeiro a medir lesões pré-cancerosas.

Ainda é muito cedo para coletar taxas de cânceres completos, mas as lesões os predizem.

Dois tipos de HPV (16 e 18) respondem juntos por 70% dos casos de câncer causados pelo vírus.

Onde a vacina foi aplicada, a incidência de contaminação por essas duas cepas caiu 83% em adolescentes e 66% em mulheres de 20 a 24 anos.

Esses dois tipos também são responsáveis por até 90% dos casos de câncer de ânus, até 60% dos casos de câncer de vagina e até 50% dos casos de câncer vulvar, segundo o Ministério da Saúde.

Os cânceres de boca e de garganta são o sexto tipo no mundo, com 400 mil casos e 230 mil mortes ao ano. A incidência está fortemente relacionada ao HPV e à prática de sexo oral.

Nos países pobres, o câncer de colo de útero é uma das principais causas de mortalidade feminina, com cerca de 300 mil óbitos por ano.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que todas as meninas entre 9 e 14 anos sejam vacinadas contra o HPV. No Brasil, o SUS oferece a vacinação gratuita também para os meninos.

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