Os ministros do governo de Jair Bolsonaro próximos do centrão tentam fazer acontecer o encontro entre os Três Poderes que foi cancelado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, em meio aos ataques do chefe do Executivo ao Judiciário.
Segundo informações do jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, Ciro Nogueira (Casa Civil), Fábio Faria (Comunicações) e Flávia Arruda (Secretaria de Governo) estão nas articulações para reunir Fux e Bolsonaro. Há expectativas de que o encontro ocorra na próxima semana.
Nesta quarta, Nogueira foi pessoalmente se encontrar com Fux. O ministro teria repetido a tese de que funcionaria como “amortecedor” de Bolsonaro. Os ministros posaram para uma foto segurando a Constituição.
“No encontro com o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Luiz Fux, consenso sobre o que nos une a todos: Executivo, Legislativo e Judiciário. O Brasil, o nosso futuro, a harmonia entre os Poderes, sintetizados no símbolo que é a nossa Constituição”, disse Nogueira no Twitter.
Quem também parece estar buscando esse encontro é o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). O senador também foi ao STF se reunir com Fux e defendeu uma nova reunião entre os poderes.
“Concordamos que o radicalismo e o extremismo são muito ruins e são capazes de derrotar a democracia. Não precisamos concordar sempre, mas temos que respeitar as divergências”, afirmou Pacheco em coletiva à tarde. “A democracia não pode ser aviltada, não pode ser questionada como vem sendo no país”, completou.
BOLSONARO CONTRA O STF
Apesar da suposta disposição de Fux, Bolsonaro tem esticado a corda contra o STF. Na última semana, o presidente pediu o impeachment dos ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. No domingo, o mandatário ainda encaminhou mensagem em lista de transmissão no WhatsApp que fala em “provável e necessário contragolpe”.
A data do “contragolpe” seria o dia 7 de setembro, quando apoiadores estariam articulando uma mobilização contra o STF. Isso inclui o sistema eleitoral e a prisão do ex-deputado Roberto Jefferson. Nas milícias digitais se fala em invasão da Embaixada da China, enquanto o cantor Sérgio Reis prega em áudio vazado invasão do STF.
O texto golpista difundido por Bolsonaro é assinado por um grupo de apoiadores chamado “Ativistas Direita Volver”.
“Hoje, fazer um contragolpe é muito mais difícil e delicado do que naquela época, além do grave aparelhamento acima relatado, temos uma constituição comunista que tirou em grande parte os poderes do Presidente da República e foi por estes motivos que o Presidente Bolsonaro, no início de agosto, em vídeo gravado, pediu para que o povo brasileiro fosse mais uma vez às ruas, na Avenida Paulista, no dia sete de setembro, dar o último aviso, mas, desta vez, ele reforçou que o “contingente” deveria ser absurdamente gigante”, diz trecho da mensagem.
“Ou seja, o tamanho desta manifestação deverá ser o maior já visto na história do país, a ponto de comprovar e apoiar, inclusive internacionalmente, para que dê a ele e às FFAA, para que, em caso de um bastante provável e necessário contragolpe que terão que implementar em breve, diante do grave avanço do golpe já em curso há tempos e que agora avança de forma muito mais agressiva, perpetrado pelo Poder Judiciário, esquerda e todo um aparato, inclusive internacional, de interesses escusos”, prossegue.
Fonte: Revista Fórum / Lucas Rocha \ TRIBUNA HOJE
(foto: Reprodução)