Mais do que alimentar o bebê, a amamentação representa um dos primeiros investimentos na saúde física e emocional de mãe e filho. Além de fornecer todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento infantil, o leite materno fortalece o sistema imunológico, contribui para o desenvolvimento cerebral, favorece a construção do vínculo afetivo e ainda reduz o risco de diversas doenças para a mulher. Durante o Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre a importância do aleitamento materno, especialistas da Afya Unima reforçam que esse cuidado produz benefícios que podem acompanhar toda a vida.
Segundo a professora Marilene Brandão, do curso de Nutrição da Afya Unima, a amamentação integra o conceito de programação metabólica, que demonstra como os estímulos recebidos nos primeiros mil dias de vida, desde a gestação até os dois anos de idade, influenciam diretamente a saúde ao longo da vida.
O leite materno é um alimento dinâmico e biologicamente ativo, capaz de se adaptar às necessidades do bebê em cada fase do desenvolvimento. Além de oferecer todos os nutrientes necessários nos primeiros seis meses de vida, contém anticorpos, hormônios, enzimas, células de defesa e compostos bioativos que favorecem o crescimento, o desenvolvimento cerebral, a maturação intestinal e o fortalecimento do sistema imunológico.
Entre seus componentes estão proteínas de alta qualidade, vitaminas, minerais, imunoglobulinas, ácidos graxos essenciais, como o DHA, e os oligossacarídeos do leite humano, que estimulam uma microbiota intestinal saudável e ajudam a proteger a criança contra infecções respiratórias, gastrointestinais e outras doenças. O colostro, produzido nos primeiros dias após o parto, é conhecido como a primeira vacina do bebê devido à elevada concentração de fatores imunológicos.
Além dos benefícios para a criança, a amamentação também favorece a saúde materna. De acordo com Marilene Brandão, o processo aumenta o gasto energético, auxilia na recuperação após o parto e está associado à redução do risco de câncer de mama, câncer de ovário, diabetes tipo 2, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares.
A professora ressalta ainda que a alimentação da mãe durante a lactação merece atenção. Embora o organismo feminino priorize a produção de um leite de excelente qualidade, uma alimentação equilibrada contribui para manter níveis adequados de vitaminas, minerais e ácidos graxos essenciais. Ela também alerta para mitos que ainda cercam o aleitamento materno. Segundo a nutricionista, não existe leite fraco e não há comprovação científica de que alimentos como canjica, cerveja preta ou determinados chás aumentem a produção de leite. O principal estímulo para manter uma boa produção é o esvaziamento frequente das mamas, aliado à boa hidratação, alimentação equilibrada e orientação profissional quando necessário.
Os benefícios da amamentação também alcançam o desenvolvimento emocional da criança. Para a professora Raquel Pedrosa, do curso de Psicologia da Afya Unima, esse momento representa uma importante oportunidade para fortalecer o vínculo afetivo entre mãe e bebê.
O contato pele a pele, o olhar, a voz, o cheiro e a forma como a mãe responde às necessidades do bebê ajudam a construir uma relação de segurança e confiança. Ao perceber que suas necessidades são acolhidas de maneira consistente, a criança desenvolve uma base emocional segura, fundamental para seu crescimento e desenvolvimento.
A psicóloga ressalta, porém, que o vínculo afetivo não depende exclusivamente da amamentação. Muitas mulheres enfrentam dificuldades como dor, problemas na pega, baixa produção de leite ou questões de saúde que podem impedir ou interromper o aleitamento. Nessas situações, o afeto continua sendo construído por meio da presença, do acolhimento e da qualidade das interações cotidianas. E a alimentação por mamadeira pode representar um momento de contato, intimidade e conexão entre mãe e bebê.
Outro aspecto essencial é a saúde mental materna, quadros de ansiedade, depressão pós parto, privação de sono, excesso de cobranças e falta de apoio podem tornar esse período mais desafiador. Por isso, a participação da família é considerada fundamental. Dividir tarefas, oferecer acolhimento emocional, respeitar o tempo da mãe e evitar julgamentos contribuem para um ambiente mais saudável e fortalecem o cuidado com o bebê.
Para as especialistas, incentivar o aleitamento materno significa promover um cuidado integral que reúne nutrição, saúde física, desenvolvimento emocional e apoio familiar. Mais do que um alimento, a amamentação representa uma estratégia de promoção da saúde, capaz de gerar benefícios duradouros para mães, crianças e toda a sociedade.
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TRIBUNA HOJE \ Por Assessoria
Foto: Divulgação













