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O vídeo que viralizou nas redes sociais ao mostrar a mudança na paisagem da ladeira de acesso à Rota do Mar reacendeu a discussão sobre o crescimento imobiliário no Litoral Norte de Maceió e a falta de atualização das regras urbanísticas da capital.

As imagens, que somam milhares de visualizações, comparam dois momentos da chegada à cidade: um registro feito em 2025, quando a vista do mar permanecia livre, e outro atual, em que a estrutura de um edifício de grande porte passou a ocupar parte significativa do horizonte.

O empreendimento pertence à construtora Engenharq e está localizado no Litoral Norte da capital. A obra só avançou após autorização judicial, já que o projeto enfrentou questionamentos sobre os parâmetros urbanísticos aplicáveis à área. Atualmente, o edifício está embargado e integra uma disputa judicial relacionada à ocupação da região.

A repercussão nas redes sociais foi marcada por críticas à alteração da paisagem e à perda da vista do litoral. O tema, porém, vai além da estética e reforça um debate que já vinha sendo levantado por especialistas e pelo Ministério Público sobre o avanço de edifícios de grande porte na região.

Segundo o promotor de Justiça Jorge Dórea, titular da 66ª Promotoria de Justiça da Capital (Urbanismo), a expansão dos chamados “espigões” em bairros como Guaxuma, Garça Torta e Riacho Doce está ligada à defasagem do Plano Diretor de Maceió.

A legislação que orienta o crescimento urbano da cidade é de 2005 e deveria ter sido revisada em 2015. Sem a atualização, o município segue utilizando regras consideradas ultrapassadas para analisar novos empreendimentos, dificultando a avaliação dos impactos causados pelo aumento da verticalização.

O Ministério Público defende que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) suspenda a emissão de novas licenças prévias e de instalação na região até que sejam aprovadas as atualizações do Plano Diretor e do Código de Urbanismo.

Entre as principais preocupações do órgão estão a ausência de Estudos de Impacto de Vizinhança (EIV) mais robustos, capazes de medir os efeitos dos empreendimentos sobre o trânsito, o adensamento populacional, a infraestrutura de saneamento, a drenagem, a permeabilidade do solo e a preservação da paisagem.

Para o MP, permitir o avanço da verticalização sem planejamento e sem infraestrutura compatível pode provocar impactos permanentes na mobilidade urbana, nos serviços públicos e na qualidade de vida da população.

Com a ampla repercussão do vídeo, a discussão ultrapassou as redes sociais e voltou a colocar em evidência a necessidade de atualização das normas que definem o uso e a ocupação do solo em Maceió, especialmente em uma das áreas que mais concentram novos empreendimentos imobiliários na capital.

CADA MINUTO

FOTO: GOOGLE