A cirurgia de fechamento da colostomia a que o presidente eleito Jair Bolsonaro, 63, será submetido costuma exigir, em média, três semanas de recuperação, de acordo com o cirurgião do aparelho digestivo Nicolau Czeczko, presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD) e com o cirurgião do aparelho digestivo Marcos Belotto, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Essas três semanas incluem uma semana de internação e duas de repouso em casa após a alta hospitalar. O médico ressalta que, após esse período, o paciente está liberado para atividades do dia-a-dia, mas não ainda para esforços, como a prática de exercícios.

“Se não houver complicações, não haverá problema nenhum para o dia da posse [1º de janeiro]”, afirma.

A previsão é que o procedimento seja realizado em 12 de dezembro no Hospital Israelita Albert Einstein, três meses exatos após a segunda cirurgia realizada no mesmo local.

Em 6 de setembro, Bolsonaro levou uma facada no abdome enquanto fazia campanha eleitoral em Juiz de Fora, Minas Gerais, que provocou três perfurações no intestino delgado e uma no intestino grosso. Foi submetido a uma cirurgia de emergência na Santa Casa e, após ser transferido para o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, passou por uma segunda cirurgia de emergência para corrigir uma obstrução causada por aderência intestinal.

A colostomia, exteriorização do intestino, foi feita para isolar a área lesionada da passagem das fezes a fim de diminuir o risco de infecções. Nesse procedimento, o intestino foi separado, sendo uma das pontas exteriorizada até a pele, direcionando o trajeto das fezes do ânus para a bolsa coletora.

O fechamento da colostomia consiste em abrir novamente o abdome, utilizando a mesma linha de corte da primeira cirurgia, e religar as duas partes do intestino que haviam sido separadas, promovendo a reconstrução do trânsito intestinal. O paciente, portanto, deixará de usar a bolsa coletora de fezes.

Segundo o presidente da CBCD, é retirada uma pequena porção do intestino, de 5 a 10 cm, da parte que ficou exteriorizada, para que seja costurada na outra parte que ficou na parte interna. “É uma pequena porção não causa absolutamente nada ao organismo”, explica.

Os especialistas afirmam que essa cirurgia é considerada menos arriscada que as anteriores. “Todas as três cirurgias são de grande porte pelo tamanho da incisão, pela complexidade e pelo tempo cirúrgico. Mas a primeira operação é considerada de maior risco devido à iminência de morte”, afirma Czeczko.

Risco de complicações é pequeno 

As possíveis complicações desse tipo de cirurgia são de infecção, de apresentar uma fístula, que significa o escape de fezes na cavidade abdominal devido a uma ruptura da costura interna, e formação de hérnia na barriga. “Os riscos dessas complicações são pequenos”, afirma Belotto.

A hérnia ocorre quando a costura não cicatriza de forma adequada e aparece após semanas e até meses após o procedimento. Já a fístula pode acontecer entre o terceiro e sétimo dia após a operação. Segundo Czeczko, tanto a fístula quanto a hérnia exigem novas cirurgias. “A fístula é a complicação mais temida em cirurgias como essa”, afirma.

A demora para o intestino começar a funcionar pode atrasar o tempo de recuperação. “Devido à anestesia, o intestino fica sem os movimentos peristálticos. Leva alguns dias até que ele os recupere”, diz.

Ele relembra que, na primeira cirurgia, o intestino de Bolsonaro demorou mais que o previsto para funcionar. “Quando ocorre isso, coloca-se a pessoa em jejum com alimentação parental, que é soro com nutrientes”, explica.

Depois de recuperado, não haverá sequelas físicas, segundo o cirurgião, mas, devido ao tipo de trauma, são possíveis sequelas psicológicas. “É o chamado medo da morte iminente, que pode ocorrer com pessoas que passam por situações em que poderiam não ter sobrevivido”.

R7.COM

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