O senador Renan Calheiros (MDB) usou de suas redes sociais para, mais uma vez, sair em defesa do presidente condenado Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT). O emedebista comemora o fato de Lula ter tido a pena reduzida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e – por conta da nossa legislação – poder sair da cadeia mais cedo.

Calheiros, entretanto, dá a entender que isso seria quase uma absolvição de Lula. É que o senador alagoano faz parte daquele time que acha que o petista é um “preso político”, “condenado sem provas”, enfim… Lula foi julgado pela terceira instância. É a terceira instância quem diz: culpado! Por isso a pena, ainda que reduzida.

Ou seja: os atos de Lula ainda são considerados crimes pela Justiça, queira Renan Calheiros ou não. E olhe que aqui nem estamos falando do ex-presidente que foi um dos membros do Foro de São Paulo, fazendo do país um cofre para republiquetas ditatoriais como Cuba e Venezuela. Basta pesquisar sobre os empréstimos do BNDES.

Não estamos sequer falando das políticas nefastas do mensalão, petrolão e outras que compraram apoio de partidos em um verdadeiro “toma lá da cá” revelado pela Operação Lava Jato. A operação da PF expôs um estamento burocrático e seus quadrilheiros, pouco importando partido. Mas Lula é o que sempre fingia não saber de nada. “Santo Lula” nas orações de Renan Calheiros.

É inegável que a redução da pena é um alento para petistas. Afinal, esses buscam – e Renan Calheiros é um deles, mesmo sendo emedebista-mor de Alagoas – reinserir o ex-presidente condenado na vida pública como uma “vítima”, quando Lula responde por seus atos. Renan Calheiros – que agora amarga o baixo-clero – também busca o seu protagonismo nesse processo.

O que Calheiros não diz, mas é de conhecimento público, é que Lula ainda tem muitas contas a acertar na Justiça. Obviamente, tem que ter o direito à legítima defesa como qualquer cidadão. Mas, em um deles, que não é o caso do Triplex, já foi condenado a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Trata-se da sentença da juíza substituta Gabriela Hardt em fevereiro desse ano, no caso do Sítio de Atibaia.

Se vai se manter ou não na segunda instância, aí é com o futuro. Não faço parte do time que acha que há uma conspiração contra Lula em todo “judiciário fascista”…

Na sentença, consta que Lula recebeu vantagem indevida em decorrência do cargo de presidente da República. Claro, há outras instâncias e elas chegarão. Lula é réu junto com mais sete pessoas, na Justiça Federal do Paraná, por acusação de ter recebido R$ 14 milhões em propina. O processo aguarda a sentença do juiz Antonio Bonat. É o processo que envolve o Instituto Lula.

Há ainda outras cinco ações penais. Quatro na Justiça Federal de Brasília. Lula é acusado de tráfico de influência no BNDES para beneficiar a Odebrecht. A denúncia foi aceita e os crimes apontados são de lavagem de dinheiro, tráfico de influência e corrupção passiva. Também há uma ação dentro das investigações da Operação Zelotes.

Lula é acusado de negociar propina em troca de medida provisória. O ex-presidente é réu acusado de fazer parte e uma organização criminosa, juntamente com outros petistas, para fraudar a Petrobras.  Em São Paulo, responde por lavagem de dinheiro, por ter recebido – segundo denúncia – R$ 1 milhão para intermediar discussões entre o governo de Guiné Equatorial e o grupo ARG, para a instalação de uma empresa no país.

A vida de Lula com a Justiça não está tão fácil quanto pinta o senador Renan Calheiros. Por maior que seja a devoção do emedebista aos seus santos, a realidade se impõe. E até no caso do Triplex, pode ser comemorada a redução de pena, pois qual condenado não comemoraria? Mas se ainda há uma pena – senhor, Senador – é porque foi reconhecida a existência de um crime. É a lógica.

CADA MINUTO

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