De acordo com Instituto Biota de Conservação (ICMBio), nos seis primeiros meses de 2019, já encalharam no litoral alagoano 763 animais marinhos. Do total, 726 são tartarugas, 20 Cetáceos (baleias e golfinhos) e 17 aves. Ou seja, houve um aumento em relação ao mesmo período de 2018, onde os registros da entidade dão conta de 653 encalhes.

Segundo o instituto, janeiro deste ano, foi o mês que mais teve casos de encalhes. No total de 271, sendo 262 tartarugas – quantidade é quase o quíntuplo quando comparado o mesmo mês de 2018, onde o registro de apenas 54 encalhes da espécie. Ainda em janeiro foram oito cetáceos (baleias e golfinhos) e uma ave.

Apesar do aumento, a Bióloga do Biota, Waltyane Alves Gomes Bonfim, reforça que entre maio de 2018 e maio de 2019, por meio de uma condicionante ambiental, foi realizado o monitoramento de praia diariamente entre os municípios de Maragogi e Feliz Deserto.

“Ou seja, quase todo o litoral, percorrendo cerca de 225km diariamente e registrando todos os animais encalhados. A partir de maio deste ano, voltamos ao monitoramento como era feito antes do período citado: abrangendo os municípios de Marechal Deodoro e Barra de São Miguel e o trecho entre Cruz das Almas e Passo de Camaragibe. Então, embora esse ano comecem a aparecer números menores se comparado as espécies, na verdade, é apenas um reflexo da redução da área de monitoramento com relação ao ano passado’’.

Em todo ano de 2018 foram registrados 2.044 encalhes.

Deste total, mais da metade foram de tartarugas marinhas (1.787), 237 aves e 39 cetáceos.

A bióloga ressalta ainda que além do monitoramento, uma das principais formas de recebimento de informações das ocorrências é por meio de demanda da população.

“Também por telefone, WhatsApp, Facebook, Instagram e pelo nosso app BiotaMar). Assim, continuamos obtendo registros para todo o litoral de Alagoas por meio da participação da comunidade’’, ressalta a bióloga.
Causas vão desde problemas fisiológicos até ação humana

Existem várias hipóteses para explicar essas tragédias ecológicas, que vitimam muitos animais marinhos. As causas vão desde problemas fisiológicos nos próprios animais, que poderiam prejudicar seu senso de orientação, até interferências provocadas pelo meio ambiente, “em espécies gregárias (que vivem em bandos), como golfinhos, botos, baleias-piloto e outros até a interferência humana.

Mas, para o presidente do instituto, Bruno Steffanis, as principais causas dos encalhes estão relacionadas à ação humana. “Alguns tipos de artes de pesca são fatais para as tartarugas. Acontecem na mesma área de alimentação delas ou próximos”, comenta recomendando que quem encontrar um animal marinho encalhado entre em contato com o instituto, “porque cada caso é um caso”.

CASO RECENTE

Apesar de ainda não estar nas estáticas, um caso que chamou atenção aconteceu no dia 8 de agosto deste ano, quando um mamífero incomum com vida encalhou na praia do Pontal de Coruripe, no Sul de Alagoas, atraindo a atenção de moradores da área e de pescadores. A espécie foi um lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis).

O animal ainda era filhote e, segundo os biólogos, foi retirado do mar pelos pescadores e colocado em uma caixa d’água antes da chegada do Instituto Biota de Conservação.

A Espécie é mais comum nos oceanos Atlântico Sul, Índico e Pacífico, com grande ocorrência nas ilhas de Gough, Amsterdam, Marion, Prince Edward, Crozet e Macquarie. No entanto, com a chegada do Inverno nessas regiões, não é raro que o animal migre para a América do Sul. Porém, ele é mais comum ser visto no litoral das regiões Sudeste e Sul do Brasil. Para os biólogos do ICMBio, ele provavelmente foi levado ao Nordeste por alguma corrente marinha ao tentar atravessá-la.

Fonte: Tribuna Independente

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