O Grupo Gay de Alagoas (GGAL) registra 102 casos de agressões físicas e morais contra a comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros no estado este ano.

O caso mais recente foi de Denise Dayse, transexual agredida moralmente com palavras de baixo calão dentro de uma das lojas de uma rede de supermercado alagoana, localizado no bairro do Tabuleiro dos Martins. O fato ocorreu na última sexta-feira (6).

A vítima acionou a polícia que esteve no local e registrou a ocorrência. A jovem foi encaminhada para a Central de Flagrantes, no bairro do Farol para prestar depoimento.

O advogado e o gerente do supermercado também foram à Central prestar esclarecimentos. Segundo Denise, o delegado ouviu as partes. No entanto, devido a um problema, não conseguiu registrar o Boletim de Ocorrências (BO). Ela foi orientada a ir fazer na delegacia do Salvador Lyra, mas também não conseguiu.

Na tarde desta segunda-feira (9), o presidente do GGAL, Nildo Correia e um advogado acompanharam a vítima em uma nova tentativa de fazer BO.

“E como em outros casos envolvendo homolésbotransfobia em nosso Estado, o grupo Gay de Alagoas acompanha a vítima na prestação de BO, e tomará as medidas cabíveis na Justiça’’, conta Correia.

“Hoje conseguimos fazer o registro do BO na mesma delegacia da tentativa feita na sexta-feira. E desta vez conseguimos”, contam.

O CASO

Amigos de Deyse gravaram um vídeo mostrando o local onde teria ocorrido as agressões verbais feitas por dois funcionários – um segurança e um caixa do estabelecimento.

Após o ocorrido, via rede social, a trans, emocionada fez um desabafo.

“No dia da agressão, eu disse que era uma mulher transexual, que existe Lei para isso, e que mereço respeito”, relatou a vítima dizendo que quer justiça.
“Caso foi encaminhado para a Delegacia da Mulher”

Denise disse para a reportagem da Tribuna Independente que o BO foi realizado e o caso encaminhado para a Delegacia da Mulher por se tratar de transfobia.

“Iremos lutar e fazer tudo que for possível dentro da lei. Agressões como estás não podem acontecer”, ressalta Denise Deyse.

PRECONCEITO

Vale lembrar ainda que no primeiro semestre desse ano, três homossexuais acabaram sendo assassinados, e outras duas vítimas acabaram tirando a própria vida pelo fato de serem gays.

Faz parte das estatísticas atuais o jovem Kleydison Leite, de 23 anos, encontrado morto em uma fábrica abandonada no município de São Miguel dos Campos, no dia 28 de fevereiro.

Outro caso foi de José Lucas da Conceição Melo, 22 anos, também homossexual, encontrado abandonado em meio ao mato, morto em Marechal Deodoro, no mês de março.

Correia ressalta que o grupo sempre cobra ações contra o preconceito. Ele lamenta que, apesar dos registros dos casos, ainda falte uma política que, de fato, combata o preconceito em todo o país.

“Não há políticas públicas de combate à LGBTIfobia no Brasil. E com isso, a situação só se agrava”.

Fonte: Tribuna Independente

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