As resistências na terapia são comportamentos, cognições ou emoções que o cliente apresenta e que se constituem como obstáculos à mudança. Este leque de resistências é tão amplo quanto o número de pessoas que fazem terapia.

Embora nem todos apresentem tais oposições, podem haver momentos em que detectamos que o cliente/paciente parece estagnado, se recusa a nos informar sobre determinados problemas ou não realiza as tarefas acordadas.

Os diferentes modelos e correntes psicológicas dão uma atenção desigual às resistências. No entanto, alguém precisa insistir na necessidade de resolvê-las, dar-lhes a atenção que elas merecem, expô-las em sessão e perguntar de forma assertiva ao cliente sobre quais dificuldades está encontrando.

Adequadas para qualquer tipo de terapia, existem técnicas que podem ser úteis para quebrar efetivamente a resistência na sessão; nesse caso, vamos nos concentrar naquelas que vêm da psicologia positiva.

O que é a psicologia positiva?

A psicologia positiva é uma corrente psicológica que se concentra principalmente nos pontos fortes; não naquilo que nos torna fracos, mas nos recursos e potencialidades que temos.

Muitos pensam que ela nasceu em 1998, promovida pelo próprio presidente da Associação Americana de Psicologia (APA), M. Seligman.

A base da psicologia positiva é aumentar as forças, o crescimento e o desenvolvimento humano.

Por exemplo, o modelo de bem-estar enquadrado nessa corrente busca o bem-estar psicológico dos indivíduos em aspectos como a independência e a autonomia, ambientes favoráveis ​​para satisfazer desejos e necessidades, o desenvolvimento de potencialidades e propósitos vitais.

Por isso, incluir tarefas típicas dessa corrente, independentemente do tipo metodológico da terapia, é descrito como útil não apenas para interromper resistências, mas também para enriquecer a mudança no indivíduo e aprimorar as suas habilidades.
Principais tipos de resistências na terapia
Sentir-se bem após a sessão de terapia

Pensamentos negativos, intrusivos e obsessivos

Em um grande número de patologias, podemos encontrar pensamentos recorrentes que o cliente é incapaz de parar.

Quando, em um contexto cognitivo-comportamental, a interrupção do pensamento com autoinstruções ou tempo de ócio não parece eficaz, na busca por uma reestruturação cognitiva que obtenha uma mudança mais duradoura, existem técnicas como:

Técnicas derivadas do mindfulness: realizar uma contemplação não avaliativa de experiências sem ficar preso a elas é útil quando os pensamentos não podem ser suprimidos. O mindfulness não procura eliminá-las, mas enfraquecer a identificação da pessoa com suas experiências subjetivas.
Terapia do bem-estar (Well-Being Therapy): esse tipo de terapia busca aumentar o bem-estar e a autoeficácia, não apenas a redução dos sintomas. Como os pensamentos obsessivos costumam ser negativos, o aumento do bem-estar pode ser útil. Podem ser usadas técnicas tão fáceis de implementar quanto pontuar, no início da sessão, os episódios de bem-estar semanais, e não apenas perguntar sobre os momentos de desconforto.
Técnicas narrativas sobre eventos positivos passados: reescrever eventos passados, sobre os quais pensamentos negativos também podem ser revividos. Isso ajudaria a gerar emoções positivas a partir de um passado que pode ser visto como ruim. A tarefa pode consistir em escrever sobre os momentos mais felizes da sua vida e as emoções que eles provocaram.

Identificação da patologia como algo inerente ao cliente

Muitos clientes chegam à terapia totalmente afogados pela patologia. A maioria deles tem dificuldade em não se identificar com o termo. Isso costuma ocorrer com a ansiedade. Pessoas com transtornos de ansiedade geralmente se definem com esse rótulo, sem se desapegar dele.

Elas acham que sempre tiveram ansiedade e que ela sempre vai acompanhá-las. A despatologização da ansiedade e de outros distúrbios é importante para tirar o poder dela, e para que a pessoa descubra outros adjetivos muito mais adequados com os quais se definir:

Reconceitualização do termo “ansiedade”: explicar a função evolutiva da ansiedade é útil, pois ela não é ruim em si mesma. Com isso, busca-se eliminar a avaliação negativa. Por sua vez, é importante diferenciar os termos “estresse” e “ansiedade”, sendo o primeiro um termo usado em uma infinidade de contextos que não envolvem patologias, e o segundo termo equivalente à doença. Recomenda-se que o cliente veja que estas não são realidades tão diferentes.
Modelo de Empoderamento ou Competência (Costa e López, 1986): enfatiza os pontos fortes, competências e habilidades com os quais uma pessoa pode se identificar. Isso é útil quando o cliente continua a ver a ansiedade como uma patologia, porque ainda é identificada como algo pejorativo aos seus olhos. É aconselhável propor outros adjetivos que também possam descrevê-lo.
Intervenções baseadas em pontos fortes (Seligman, 2005): encontramos tarefas como: “Sua melhor lembrança” – escrever lembranças sobre uma época em que suas melhores características foram mostradas e as ler todas as noites – ou “Visita à gratidão”. O objetivo desta última técnica é enriquecer o círculo social do paciente/cliente.

Antecipação e ansiedade

Abrangendo novamente a resistência nos transtornos de ansiedade, às vezes a reestruturação cognitiva pode se tornar árdua.

Portanto, o debate socrático dos pensamentos irracionais pode ser combinado com tarefas que ajudam o cliente a encontrar significados positivos para o fato de ter problemas, porque a antecipação dos mesmos costuma causar muito desconforto em pessoas com essa condição:

Abrir o futuro: psicoeducação na utilidade dos problemas. Discutir sobre os benefícios de esperar a vida de braços abertos, com curiosidade e interesse.
Marcas da vida e o progresso: procurar as marcas que as experiências positivas e negativas deixaram no indivíduo e decidir quais delas ele deseja manter.

Atribuição da mudança terapêutica à medicação

As pessoas que iniciam um tratamento psicológico já medicadas podem atribuir qualquer mudança positiva que seja estabelecida ao próprio medicamento.

Diante disso, como não é possível retirar o medicamento de uma só vez e às vezes isso é contraproducente, busca-se que a pessoa esteja ciente de todo o espectro de mudanças positivas que ocorreram, além de combiná-lo com um debate socrático que desmonta essa ideia.

Podem ser usados gráficos que coletam pontuações de humor que, supõe-se, serão exponenciais. Por sua vez, elas também podem se tornar conscientes dos sinais de melhora e recuperação que são negligenciados em cada sessão.

Esses tipos de tarefas e técnicas são propostos no leque de opções que o terapeuta pode usar para resolver as resistências na terapia. Não é recomendado ignorá-las ou não lhes dar a devida atenção.

Podem ser usadas outras intervenções positivas, sempre tendo como objetivo final o empoderamento e despatologização, grandes pilares da psicologia positiva.

R7.COM

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