A culpa do seu sobrepeso ou obesidade não é sua. Alimentar esse pensamento só vai gerar ansiedade, uma ansiedade que você pode aliviar com comida, dando espaço para ainda mais culpa. Neste artigo, vamos falar sobre como romper este ciclo.

“Amanhã eu começo…“, “Acabou!“, “Hoje vou me despedir de toda essa comida!“, “Nunca mais!“, “Não posso continuar assim!“, “Estou cada vez mais gordo…“, “Tenho que mudar“, “Meu tamanho de roupa aumentou“, “Não paro de engordar“… você reconhece estas falas? São frases que talvez você repita diariamente porque acredita que a culpa da sua obesidade é sua e somente sua.

Você acha que é o único responsável pelo seu corpo. Você se avalia exclusivamente pela sua imagem corporal. Você se sente frustrado porque seus outros atributos não são suficientemente reconhecidos pelos outros.

Pode ser que você ache que é uma pessoa pior por ter um corpo que a sociedade não aceita. Você sabe que precisa mudar porque não param de aparecer novos problemas de saúde ou porque algum profissional de saúde está te alertando sobre sua iminente aparição.

Enfim, existem milhões de motivos que podem te pressionar a mudar o seu corpo.

Da pressão ao desespero

Um dia, fruto do desespero em mudar, todos esses motivos aparecem rapidamente e de forma desorganizada em sua cabeça. Nesse preciso instante, você se sente mal, se pergunta por que não fez nada antes e aponta um dedo para si mesmo.

No fundo, você acha que tem culpa por ter sido levado a pensar que mudar é fácil e que só era preciso ter “força de vontade”.
Os métodos restritivos são a culpa da sua obesidade

Esse desespero faz com que você não aguente mais o seu corpo e, a partir da enorme responsabilidade que você sente, decide que precisa de uma mudança imediata.

Daí surge a necessidade de um método que cumpra duas obrigações: a de castigá-lo por não tê-lo colocado em prática antes e a de conseguir alcançar resultados espetaculares a curto prazo. O pior é que estes métodos existem.

Há pessoas que acreditam nestes tipos de programas de emagrecimento e os promovem como uma opção ao mesmo tempo necessária e saudável.

Essas pessoas dizem que você tem que ser forte para ser capaz de aguentar um método baseado no sacrifício excessivo: dietas hipocalóricas, exercício físico intenso, autocontrole absoluto e uma enorme lista de etc. que você certamente conhece.
O mal-estar da restrição

O mal-estar que você sente pelo corpo em que vive é muito grande. Você está desesperado e mergulhou em um processo cuja dificuldade te faz sentir uma insatisfação insuportável. É insustentável. Você não aguenta mais. É impossível.

O desespero em acabar com a pressão torna o processo de mudança mais rígido. O processo é tão difícil que o mal-estar se propaga além das sensações físicas.

Soma-se a tudo isso o fato de que a sua autoestima foi minada, pouco a pouco, sem você perceber. Você se olha e se despreza, já não se sente mal apenas com o seu corpo, mas também com a sua mente. Sabe por quê?

Diariamente você se avalia apenas pela forma do seu corpo, como se ele fosse seu todo;
Todos os dias você diz para si mesmo que tem um corpo horrível;
Tenta mudá-lo diariamente para que ele seja como você deseja, como os outros desejam que ele seja;
Cada vez que você tenta mudá-lo, o faz de uma forma insuportável e insustentável. É autodestrutivo;
Obviamente, você é incapaz de se submeter a essa disciplina. Mas você não vê isso. Você acha que o motivo de não conseguir continuar é porque você não é suficientemente forte, porque você não é suficiente;
Todos os dias você se sente culpado por não ser capaz de mudar. Você acompanha mensagens enganosas que dizem que “Tudo é possível se você se propor a isso!“.
Diariamente, percebe que a comida que você tenta rejeitar ganha a batalha. Você precisa dela para aliviar sua insatisfação, para acalmar a ansiedade. A necessidade não é saciada porque o alívio é breve.
Assim, você recebe de si mesmo a mensagem de que perdeu diariamente. E acha que perdeu por sua culpa, por não ser capaz, por não ser suficiente.
No meio de tudo isso, mensagens permanentes como: “Você não é capaz!“, “Você não consegue!“, “Você é um fracassado!“, etc.

A compulsão como um mecanismo de alívio

Você precisa se sentir bem. É cada vez mais difícil suportar o mal-estar, e então, nesse momento, você acaba se rendendo. Você acaba comendo tudo que não comeu nos últimos dias. Com ansiedade, mal-estar e sem alegria.

Isso se chama compulsão e, embora não seja fisicamente saudável, consegue te aliviar e te acalmar mentalmente por alguns instantes.

A compulsão conseguiu apagar uma ansiedade provocada por um processo de mudança insuportável. O ciclo recomeçará novamente: pressão, desespero, controle excessivo, insatisfação, compulsão e culpa.
A culpa da sua obesidade

Infelizmente, o alívio foi breve e agora você se sente culpado. Culpado por não ter sido capaz de “fazer o que precisava ser feito” para conseguir um corpo bonito e eliminar toda a pressão e insatisfação que você tem. Como se você fosse o culpado por tudo isso.

O ciclo começará novamente. Você se sentirá pressionado, muito motivado pela mudança. Voltará a adotar um método insustentável. Não vai aguentar. Vai recorrer novamente à compulsão para aliviar esse estado de insatisfação brutal. E, de novo, a culpa. E você voltará a começar, sempre, só que no seu julgamento, você vai alcançar cada vez locais mais profundos.

Você foi levado a acreditar que a culpa do seu sobrepeso ou obesidade é sua. Você se sente tão responsável que a pressão é brutal. Isso o levou a aplicar métodos completamente insustentáveis que não fizeram nada além de agravar a situação.

Assim, a solução começa por quebrar o ciclo. A solução é deixar o impulso de lado e fazer uma reflexão justa e realista. É chegar à conclusão de que voltar atrás não quer dizer voltar ao início, e de que é possível perder, mas não tudo que foi ganho.

É necessário gerar um espírito crítico que devolva as rédeas da sua vida e das suas decisões a você. Uma atitude independente do pensamento da massa.
Mulher comendo doce em casa

O que fazer para romper o ciclo de culpa?

Romper o ciclo de culpa passa necessariamente por eliminar a pressão. Para isso, será fundamental criar uma mensagem realista sobre si mesmo, sobre a sua responsabilidade sobre o seu corpo, sobre a sua forma e relevância ao resto das áreas de sua vida.

Ao mesmo tempo, será essencial gerar um espírito crítico com a sociedade que descarte determinadas tentações envenenadas para o seu diálogo interior.

Além disso, você terá que conseguir se valorizar além do seu corpo ou do que você não goste nele. É necessário que você compreenda que assim, exatamente como você é, você é suficiente. Dessa forma, seu plano não se voltará contra a sua autoestima caso não seja alcançado.

Com calma, você será capaz de entrar em um processo de mudança amável, saudável, progressivo e sustentável. Um modelo integral que, além de ensiná-lo a comer, deverá trabalhar outras áreas que te ajudem a se sentir melhor.

Você terá eliminado a pressão, o desespero e a insatisfação. Você não precisará recorrer à comida como única fonte de bem-estar e, se necessário, poderá fazê-lo sem culpa porque saberá que “comer por comer”, às vezes, exerce um efeito protetor que faz sentido.

A compulsão deixará de ter espaço. A culpa terá ido embora. O círculo vicioso terá desaparecido.

A culpa da sua obesidade é de quem fez você se sentir assim e de tudo que isso gerou.

R7.COM

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