De janeiro até agora 75 novos casos de câncer infantil foram detectados em Alagoas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A informação é da Associação dos Pais e Amigos dos Leucêmicos de Alagoas (Apala) que faz a assistência deste e de outros 500 pacientes cadastrados.

“Em tratamento, a gente tem cadastrado na instituição mais de 500 pacientes em tratamento, que pode ser quimioterapia, radioterapia, tratamento de manutenção. Mas isso é a quantidade de pacientes que nós cadastramos. Isso pode ser mais”, afirma a coordenadora de projetos da Apala, Roberta Fernandes.

Segundo a diretora médica e pediatra do Hospital do Açúcar, Marta Mesquita, 195 casos de câncer infantil estão em tratamento na instituição, o hospital dispõe de leitos pelo SUS para o tratamento da doença no estado.

A pediatra explica que para o diagnóstico precoce é necessário que pais e responsáveis estejam atentos às condições de saúde das crianças. “Em situações onde doenças se estenderem por mais de uma semana, com alguns sintomas específicos como palidez, febre, anemia, aumento visceral a orientação é sempre procurar um médico. A família não faz o diagnóstico, mas pode estar atenta a sinais que ajudam no diagnóstico”, pontua a médica.

Esta sexta-feira (23) é o Dia Mundial do Combate ao Câncer Infantil e segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) 12.500 novos casos surgirão em todo o país durante 2018. O último levantamento divulgado pelo instituto apontou 2.835 mortes decorrentes da doença. “Assim como em países desenvolvidos, no Brasil, o câncer já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de um a 19 anos. O tipo de câncer mais frequente é a leucemia, com incidência de 26%, seguida pelos linfomas que ocorrem em 14% dos casos”, diz o Inca.

De acordo com Roberta Fernandes, que atua há 19 no suporte à crianças com câncer é preciso propagar a necessidade do diagnóstico precoce. Quanto mais cedo o caso é identificado, mais chances de cura. O câncer infantil tem 80% de taxa de reabilitação.

“Quando o diagnóstico é precoce as chances de cura são totalmente diferentes porque o paciente sendo diagnosticado no início da doença, a gente inicia o tratamento sem tantos comprometimentos e com os tumores no início do seu surgimento. Quando o paciente é diagnosticado tardiamente, você já pega o paciente com alguns comprometimentos da doença, o quadro geral  de saúde debilitado e muitas vezes não consegue nem começar o tratamento. Toda essa busca pelo diagnóstico precoce visa oportunizar aos pacientes a cura num período menor de tempo”, destaca Roberta.

Pensando nisso, a Apala vai iniciar uma capacitação voltada a estudantes das áreas de saúde. O intuito é familiarizar os graduandos com o assunto, ajudando em futuros diagnósticos.

“O tema precisa estar sempre presente para a população. A gente fica sempre com essa preocupação. Vamos iniciar ainda este ano uma capacitação com os estudantes de graduação na área de saúde. A gente trabalhava diretamente com o profissional, mas agora a intenção é que o profissional saía da faculdade com essa sensibilização”, explica a coordenadora da instituição.

Roberta afirma que diante do diagnóstico o suporte é fundamental para que o paciente consiga enfrentar o tratamento. “O Serviço social faz uma busca ativa nos hospitais para que  a Apala possa dar um suporte social, psicológico, disponibilizar para  a família o suporte. Se for do interior, damos suporte de hospedagem, transporte, pedagógico para que não perca o vínculo com o ensino, apoio psicológico para o paciente e a família. Uma série de atividades assistenciais para que ele tenha melhores condições de enfrentamento da doença.”

Fonte: Tribuna Independente

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