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Basta dar uma volta por Maceió, de carro ou a pé, por diversos pontos da capital para constatar que o lixo está acumulado em praticamente todos os bairros. Na periferia, a situação é ainda pior, devido a menor frequência na coleta, de acordo com os moradores.

A população tem feito reiteradas e constantes denúncias de que a coleta de lixo está precária há meses. De acordo com os moradores de diversos bairros de Maceió, a coleta de lixo mal está sendo feita e quando acontece está com falhas o que provoca o acúmulo de resíduos em vias públicas.

Na Rua Nossa Senhora da Conceição, na Chã de Bebedouro, a comerciante Gerusa da Silva contou que amarga prejuízo sem conseguir vender seus produtos no pequeno mercadinho pela falta de clientes.

“Ninguém quer atravessar uma montanha de lixo para pode se locomover. Essa imundície está acabando com os mercadinhos de bairro. Ninguém vê o caminhão de coleta há meses aqui. E quando passa, não sobe a ladeira”, reclamou.

Algumas residências mais à frente, a dona de casa Marilene Luiza da Silva disse que está trancada em casa há semanas na tentativa de sentir menos o odor. Ela disse que perdeu o prazer de se encontrar com as vizinhas a noite na porta de casa, devido ao acúmulo de lixo. “É muito mau cheiro. Animais mortos, lixo doméstico e também todo tipo de podridão. O visual da nossa rua mudou para pior”.

Mauriceia Alves da Silva falou que a situação da coleta de lixo na periferia sempre foi precária, mas agora está catastrófica, tirando a dignidade da população. “Não sei para onde está indo nossos impostos. A parte que destinavam à coleta de lixo não está sendo bem empregada. Não é possível. Há meses não recebo visita em casa, ninguém quer vir em uma rua que começa e termina com lixo nas portas”, frisou.

No Mercado da Produção, é até difícil achar um local sem lixo acumulado. Verdadeiras montanhas de lixo estão sendo formadas a cada dia a céu aberto.

No Dique Estrada, a realidade é a mesma das demais comunidades carentes da capital alagoana (Foto: Sandro Lima)

O montante assusta até mesmo quem está no local, diariamente. De um dia para outro, o volume cresce de forma considerável. Embora a paralisação nacional dos trabalhadores da limpeza urbana tenha ocorrido ontem, moradores afirmam que os problemas na capital alagoana já vinham sendo registrados há vários dias.

Na Avenida Celeste Bezerra, na Levada, a dona de casa Jaqueline Santos da Silva afirmou que proibiu a filha pequena de sair à calçada devido ao mau cheiro, às moscas, urubus e ratos.

“Não me lembro a última vez que vi o caminhão da coleta passar na minha porta. Mais uns dias, nem mesmo os carros vão conseguir andar pelas ruas. O lixo já está formando uma fileira que vai de um canto a outro e todo dia tem mais e mais lixo”, reclamou.

O acúmulo de resíduos tem causado mau cheiro e atraído insetos, ratos e outros animais, aumentando o risco de doenças.

Procurada pela reportagem, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Pública e Urbana do Estado de Alagoas (Sindlimp/AL) afirmou que as informações devem ser prestadas apenas pela prefeitura de Maceió.

ALURB

A Autarquia Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Limpeza Urbana (Alurb) informou que as empresas Viambiental e Naturalle, contratadas pela Autarquia para prestar serviços de limpeza estão com 100% do efetivo funcionando.

Quanto ao acúmulo de lixo, a Alurb explicou que a situação ocorre em decorrência de ajustes operacionais e readequações logísticas adotadas pelas empresas responsáveis pela execução do serviço.

Para fazer denúncias e solicitações, o cidadão deve ligar diretamente nos canais da Central de Monitoramento da Alurb, que atende pelo 156 ou pelo whatsapp 98802-4834.

Por Valdete Calheiros – repórter / Tribuna Independente

Foto: Adailson Calheiros