Durante o último fim de semana, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), disse em rede nacional que “o pior está por vir” quando questionado sobre o aparecimento de óleo em praias do Nordeste. A reportagem da Tribuna Independente esteve em contato com o oceanógrafo Gabriel Le Campion que disse que seria “impossível prever” o surgimento de novas manchas.

Nas declarações, o presidente Jair Bolsonaro sinalizou com a possibilidade de “uma catástrofe muito pior”. No entanto, Le Campion destaca que é difícil realizar qualquer previsão seja pelas correntes marítimas, seja pela indefinição do local do derrame.

“É impossível prever. A não ser que navios-patrulha consigam detectar as manchas antes delas chegar na praia. A tendência normal seria diminuir o tempo. Mas não sabemos quanto o óleo foi derramado. Especula-se em torno de 2.000 toneladas. E como o oceano é muito extenso e esse óleo muito denso torna difícil qualquer previsão. Além disso têm as correntes com suas dinâmicas e às vezes os pequenos giros que podem fazer com que o óleo fique preso durante um determinado período de tempo”, avalia.

Le Campion é professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e Mestre em Oceanografia Biológica. Para ele, o “possível” nesta situação seria um monitoramento intenso para que possíveis manchas, caso estejam em dispersão, sejam localizadas antes de chegarem à costa. “Como eu falei a área é muito grande, é difícil, mas é melhor que nada. Os satélites podem ajudar. O ideal é localizar essas manchas antes delas atingirem as praias. Promover a retirada delas da água. A Petrobras tem tecnologia para isso. Falo no caso delas ainda existirem. Acho que o pessoal está bem engajado. A Marinha tá fazendo todo o possível. É um esforço hercúleo. Ela foi a primeira a atuar.”

POSSIBILIDADE

O professor e coordenador da força-tarefa de pesquisadores da Ufal Emerson Soares não descarta o aparecimento de novas manchas no litoral nordestino.

“O que a gente vem acompanhando de outras equipes é que é possível que chegue mais. Não sabemos a quantidade, mas existem informações de que há óleo ainda em um vórtice, uma região de correntes entre Pernambuco e Bahia. Essa informação é do Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais], foi falada há uns três ou quatro dias e esse óleo pode estar ‘aprisionado’ nessa área. Inclusive, quando o Ministério da Defesa falou que pode haver mais óleo, é por conta dessa informação do óleo no vórtice na região central entre Pernambuco e Bahia. Há possibilidade sim de óleo”, diz o pesquisador.

No entanto, Emerson Soares avalia como positivo o fato de Alagoas não registrar novos pontos de aparecimento. Atualmente estariam chegando apenas resíduos de manchas antigas levadas pela maré.

“Aqui em Alagoas a informação que a gente tem é que não apareceram novos fragmentos de óleo, apenas ali próximo a Japaratinga e Maragogi persiste um pouco. Na Foz do Rio Coruripe ainda chegou um pouco de óleo, mas é óleo antigo, que vem sendo descoberto pelas marés. E o mesmo acontece em Feliz deserto e Piaçabuçu”, ressalta Soares.

O Instituto do Meio Ambiente (IMA) e a Marinha do Brasil foram procurados para comentar o assunto. O IMA destacou que não há, até o momento, informações ou recomendações oficiais sobre a possibilidade de aparecimento de novas manchas.

“Não é possível para a equipe técnica do Instituto do Meio Ambiente emitir qualquer tipo de comentário ou mesmo posicionamento técnico a respeito das falas do presidente por não se tratar de um pronunciamento oficial. Além disso, o Instituto não foi informado oficialmente pela Marinha do Brasil que atualmente é o órgão do governo federal responsável pelas investigações em águas internacionais”, disse o IMA.

Até o fechamento desta edição a Marinha não havia respondido os questionamentos feitos pela reportagem.

Fonte: Tribuna Independente

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